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PCC treinou quadrilha de ataques a bancos em sítio

02 Mai

Na zona rural de Itajaí, PCC ensinava táticas militares para quadrilha usar em ataques a caixas
Um sítio na zona rural de Itajaí foi a “sala de aula” onde a quadrilha do Freitas aprendeu táticas militares para usar nos ataques a caixas eletrônicos com dinamite em Santa Catarina. O local foi adaptado para as lições de caminhar tático, segurança de área e perímetro e uso de fuzil, o armamento mais letal na hierarquia das armas, que perfura blindagem de carro-forte e colete de policiais. Os professores: integrantes da facção criminosa paulista Primeiro Comando da Capital (PCC), que vieram de São Paulo especialmente para ensinar seus novos alunos.

Foi entre árvores e flores que a quadrilha desmantelada no sábado pela Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) aprendeu a caminhar em condições de disparar tiros de fuzil com rapidez, olhando para todos os lados enquanto segue uma direção determinada. A usar sentinelas em pontos estratégicos na rua, fazendo um triângulo para cobrir o perímetro com o objetivo de alertar por rádio ou sinais de lanterna a aproximação de policiais, e também confrontar a polícia, se necessário. E exercícios de como segurar o fuzil, sempre em condição de tiro, com o cano apontado para baixo.

O uso do conhecimento técnico militar estava evidente em alguns ataques como os de Araquari (Posto Sinuelo, quando trocaram tiros com um PM) e São João Batista. Estes são dois dos seis ataques nos quais a participação da quadrilha é confirmada pela Deic. Os outros quatro são Nova Trento, o último de São João Batista e os dois em Rio dos Cedros. O bando é suspeito de explodir caixas em São Pedro de Alcântara, Bombinhas e Antônio Carlos, e de pelo menos outros 20 ataques, o equivalente a mais de 30 caixas eletrônicos dinamitados.

PCC cobrava 60% sobre o valor roubado em cada caixa

O conhecimento das técnicas, normalmente aprendido em quartéis, não foi de graça. O PCC cobrou uma taxa de 60% sobre o valor roubado em cada caixa eletrônico. A facção paulista também fornecia a dinamite e o armamento pesado, restrito das Forças Armadas. E dava apoio logístico por meio de representantes do PCC em Balneário Camboriú e Itajaí.

O líder da quadrilha presa, José Luis de Freitas, o Magro, 34 anos; o irmão dele, Jocemar de Freitas, o Jubinho, 23 anos, ambos naturais de Brusque; além de Orlandinho Teske, o Buby, 38 anos, de Rio dos Cedros; Jonatan Rafael Fischer, o Johnny, 28 anos, de Campo Bom (RS), e outros três comparsas que estão foragidos no Rio Grande do Sul e em São Paulo foram treinados no sítio alugado em 2010. Foi neste ano que os quatro presos pela Deic foram “batizados” e passaram a ser do PCC.

– O PCC escolheu a quadrilha porque o Freitas já tinha histórico de roubo de carga, malote e caixa eletrônico. Também por serem homens violentos, frios e de alta periculosidade – conta o delegado titular da Divisão de Furtos e Roubos da Deic, Diego Azevedo.

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