Cancelar
Acesso CNTV

Guerra aos Guarani-Kaiowá é declarada no Mato Grosso do Sul

27 Ago

“Se o Governo quer guerra, vai ter guerra. Se eles podem invadir, então nós também podemos invadir. Não podemos ter medo de índio não. Nós vamos partir pra guerra, e vai ser na semana que vem. Esses índios aí, alguns perigam sobrar. O que não sobrar, nós vamos dar para os porcos comerem”. Este foi o depoimento do fazendeiro, Luis Carlos da Silva Vieira, proprietário de terras no município de Paranhos, estado do Mato Grosso do Sul. Lenço Preto, como também é conhecido, declarou, no último dia 18, para o site de notícias midiamax.com que o ataque armado contra os povos indígenas Guarani e Kaiowá terá inicio nesta semana, 20.

Os povos Guarani-Kaiowá, que vivem historicamente naquela região, foram expulsos das suas terras a partir da década de 40. De lá para cá, as armas do agronegócio vem exterminando os indígenas. Cansados de esperar do Governo a homologação de suas terras, os Kaiowás iniciaram, nas últimas décadas, o processo de retomada pacifica das suas terras de origem. A única resposta dada aos indígenas vem em números. Em nove anos, mais de 270 lideranças Kaiowás foram assassinadas no Mato Grosso do Sul a mando de fazendeiros. Esse processo de genocídio e etnocídio, iniciado a mais de 500 anos no nosso país, se intensifica. É o que está acontecendo, neste exato momento, na aldeia Arroyo Corá, localizada no município de Paranhos, 477 km de Campo Grande (MS), fronteira Brasil/Paraguai.

No dia 10 de agosto, os indígenas da Aldeia Arroyo Corá iniciaram na região as manifestações pacificas de retomadas de terra. Segundo relato divulgado na carta aberta da Aty Guassu (Assembleia Kaiowá), as manifestações tiveram início às 5h da manhã do dia 11. Por volta das 8h, quatro caminhonetes chegaram no local com 50 homens fortemente armados. Os pistoleiros se dividiram em três grupos e cercaram num raio de 200 metros a manifestação indígena. "Esses homens armados se dividiram em três grupos e começaram a nos cercar e se aproximar de nossa manifestação, mirando as armas de fogos em nossa direção, ficamos na mira de 50 espingardas (calibre 12), eles vieram lentamente se aproximando e se abaixando, de 200 metros, ao mesmo tempo, eles começaram atirar em nós, só ouvimos tiros, gritaria e fumaças em nossas direções e chuva de balas, diante disso, juntos aos tiros ouvimos choro das crianças e mulheres", relatam indígenas na carta.

Segundo os próprios indígenas Kaiowá, o disparo de tiros durou aproximadamente duas horas. Logo depois, as caminhonetes voltaram próximos ao conflito e descarregaram mais munição para os pistoleiros. " Aproximadamente por duas horas consecutivas eles atiraram em nossa direção, nós já estávamos escondidos atrás das árvores e outros deitados nos córregos e na lamas. Os homens-pistoleiros riam, riam muito de nós e falavam gritando "vocês índios merdas! já morreram todos aí". "Hoje, nenhum índio vai sair vivo daqui". Num momento depois, bem perto dali, vimos carros chegando e várias caixas de balas descarregando das caminhonetes", relatam os indígenas.

Aldeia Arroyo Corá

Os tiros voltaram a ser disparados contra os indígenas às 14h e só cessaram às 16h. O indígena idoso e deficiente, Juam, foi morto e teve o corpo levado pelos pistoleiros. Uma criança de 9 meses também foi assassinada no confronto, além do desaparecimento do indígena de 50 anos, Eduardo Pires. Até o exato momento, o Governo Brasileiro não interveio no conflito. Segundo indígena que não quer se identificar, quatro policiais da Força Nacional estiveram no local, mas foram expulsos pelos pistoleiros. Em nota, os Kaiowás afirmaram que a Funai e a Polícia Federal estiveram no local do conflito, mas não garantiram proteção aos indígenas. "Quando as viaturas da Polícia Federal, Força Nacional e Funai chegaram ao local, saímos todos da mata, do brejo e dos dois córregos, levamos os agentes federais direto à sede de uma casa dos pistoleiros das fazendas, e encontramos ainda um homem que estava atirando sobre nós, reconhecemos, indicamos e apresentamos aos agentes da polícia, mas a polícia alegou que iria investigar o caso.

Ainda segundo a nota, os indígenas afirmam que os policiais da Força Nacional culparam os Kaiowás como provocadores do confronto. "Vocês também estão invadindo as fazendas né? Por isso que tudo de ruim está acontecendo com vocês”. Na noite do dia 11, os indígenas imploraram que a Força Nacional e a Funai permanecessem no local para garantir a segurança dos Kaiowá, porém, logo após recolher as balas e cartuchos encontrados no local do confronto, os agentes e a Funai negaram proteção alegando que deveriam voltar a cidade para continuar as investigações.

Segundo liderança Kaiowá que esteve neste fim de semana na região da aldeia Arroyo Corá, os fazendeiros estão comprando armas de grosso calibre no Paraguai. "Os fazendeiros estão comprando armas de grande porte, munição e contratando pistoleiros do Paraguai. Sem contar com os pistoleiros da Sepriva", afirma liderança. A empresa de segurança privada Sepriva tem uma lista de 20 nomes das principais lideranças Kaiowá marcadas para morrer. Esta lista vem diminuindo gradativamente ao longo dos anos.

A guerra foi declarada no território do Mato Grosso do Sul. Os fazendeiros estão fortemente armados, dispostos a intensificar o extermínio do povo Guarani Kaiowá. Os indígenas defenderão suas terras históricas até a morte. O governo Dilma assiste de camarote ao genocídio e etnocídio praticado no território brasileiro. O sangue indígena é derramado em nome do progresso. Estado Brasileiro: Assassino de indígenas.

0 comentários para "Guerra aos Guarani-Kaiowá é declarada no Mato Grosso do Sul"
Deixar um novo comentário

Um valor é necessário.

Um valor é necessário.

Um valor é necessário.Mínimo de 70 caracteres, por favor, nos explique melhor.