VIOLENCIA CONTRA VIGILANTES NA CPTM/SP: SEGURANÇA EM AREAS DE TRANSPORTE NÃO PODE SER FAZ DE CONTA
08 Jun
Imagem gerada por IA |
A imprensa noticiou o ataque de seis criminosos contra dois Vigilantes da empresa Gocil Segurança na Estação Utinga da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos - CPTM na tarde do dia 30 de maio último é mais um destes crimes contra os profissionais de segurança privada, Vigilantes, a serem denunciados, repudiados, mas com a indicação e cobrança em relação aos responsáveis.
Mais um. Isto mesmo: mais um crime na área de transporte ferroviário ou metrô em São Paulo, não diferente de ocorrências em Recife e outras cidades.
E o roteiro é sempre o mesmo. Um ou dois Vigilantes desarmados, enfrentando grupos criminosos, quase sempre, armados, sem apoio, retaguarda da empresa empregadora, muito menos da contratante.
Mas é mesmo desta forma que deve funcionar a segurança das pessoas no sistema de transporte de massa, especialmente o ferroviário? É claro que não.
A Lei que regula os serviços de segurança privada no Brasil (Lei 14.967/2024) legitima a atuação da segurança privada em áreas de transportes coletivos, inclusive o ferroviário, contando, evidentemente, com planejamento, estrutura de apoio, equipamentos e quantidade de pessoal necessária.
Mas não é isto que se percebe, principalmente nas áreas da CPTM e do Metrô de Recife – CBTU MetroRec. São poucos Vigilantes, vendidos como mera “mão de obra locada”, sem equipamentos necessários e, pior, sem um plano mínimo e responsável.
A nova lei diz que é indispensável um Plano de Segurança na venda de um serviço de segurança privada, com todos os requisitos já mencionados, não apenas o fornecimento do profissional.
Os usuários, vigilantes e servidores que atuam no transporte ferroviário merecem respeito. A CPTM, a CBTU e outros contratantes são os principais e primeiros responsáveis pela violência e culpados pelas vítimas nas suas áreas de atuação.
O CASO DA ESTAÇÃO UTINGA – E para piorar o quadro, os Vigilantes que atuavam na Estação Utinga e outras estações da CPTM são empregados da empresa Gocil Segurança, empresa sob uma recuperação judicial nebulosa, que atrasa pagamento de salários, férias, verbas rescisórias e outras obrigações. Nesta condição dificilmente os Vigilantes esperam contar com qualquer estrutura de apoio operacional da empregadora. Aí o contratante também não cumpre a sua parte.
Nossa solidariedade aos colegas agredidos e nossa torcida pela sua pronta recuperação.
CPTM e Gocil, sejam responsáveis com os Vigilantes, os funcionários dos trens e a população usuária.
Por José Boaventura – Presidente da CNTV – Confederação Nacional dos Trabalhadores Vigilantes
