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Bandidos já estão de olho

09Jan

Cada vez mais sofisticados, hotéis atraem a atenção de novos clientes e também de quadrilhas especializadas

Embora distante dos principais destinos de férias do Brasil, e longe das agendas abarrotadas de clientes, Belém vem recebendo um número cada vez maior de visitantes a cada ano.

Congressos, feiras, o apelo exótico da cidade considerada porta de entrada da Amazônia ou as festas tradicionais, como o Círio de Nazaré, trazem retorno para a cidade e, principalmente, para o setor hoteleiro.

Reestruturados e em constante aprimoramento, os hotéis da cidade ficaram mais sofisticados, mais atraentes e com isso despertaram a atenção de novos hóspedes e também dos bandidos. Como conta o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Tony Santiago.

Durante as festas de fim de ano e feriados prolongados como o Carnaval, o setor hoteleiro paraense torna-se mais vulnerável à ação de quadrilhas especializadas no roubo de hotéis. Crime cada vez mais comum em todo o Brasil.

No final de novembro do ano passado, dois homens invadiram e renderam funcionários do hotel Akemi, localizado na avenida Ceará, próximo do Terminal Rodoviário de Belém, no bairro de São Brás. Na ocasião, a dupla conseguiu fugir levando R$ 450,00, um notebook e alguns aparelhos celulares que pertenciam aos funcionários. Para não ser reconhecido pelas vítimas, um dos homens usou um capacete durante toda a ação, que durou cerca de 20 minutos.

A ocorrência foi registrada no mesmo dia, na Seccional Urbana de São Brás. As imagens do circuito interno de vigilância eletrônica do hotel foram entregues à polícia para facilitar a identificação dos bandidos.

O episódio gerou pânico entre funcionários e hóspedes e só não foi mais traumático porque a ação dos criminosos se restringiu ao andar térreo do hotel - longe dos quartos em que estavam a maioria dos hóspedes. De acordo com testemunhas, a dupla estava muito nervosa durante todo o assalto, o que aumentou o clima de tensão.

Setor privilegia a segurança eletrônica

De acordo com o presidente do Sindicato dos Vigilantes do Estado do Pará, Juber Lopes, a contratação de agentes de segurança privada para salvaguardar hotéis e demais estabelecimentos comerciais não está entre as prioridades do empresariado de Belém. Para ele, se o investimento fosse feito, muitos locais deixariam de ser alvo da ação das quadrilhas.

"O curso para vigilante tem carga horária mínima de 160 horas e reciclagem bienal de 32 horas. Após o curso principal, o vigilante pode estender os conhecimentos e habilidades para outros cursos que equivalem aos cursos de capacitação, tais como transporte de valores, escolta armada, segurança pessoal, manuseio de armas letais e não letais, entre outros. Atualmente, 10 mil vigilantes atuam em todo o Estado", explica Juber.

Ainda segundo o presidente, a demanda por agentes de segurança privada não tem ganho significativo mesmo durante as festas de fim de ano e feriados prolongados. Ele explica que quando é feita a contratação o número de agentes chamados nem sempre é suficiente para guardar determinado estabelecimento. O que põe em risco tanto o vigilante quanto as pessoas que buscam proteção.

Uma das justificativas para o baixo interesse do empresariado se deve, acredita Juber, ao excesso de empresas especializadas na instalação de sistemas de circuito interno de vigilância eletrônica. "O setor hoteleiro possui agentes para fazer a segurança pessoal, porém, o investimento está aquém da necessidade dos estabelecimento, em segundo plano. Na contramão disso está a vigilância eletrônica, cada vez mais requisitada", analisa.

Apesar da avaliação de Juber, o presidente da ABIH, Tony Santiago, destaca que a segurança do setor não está comprometida e que casos como os dos hotéis Akemi, Ibis e Vila Rica são exceções.

"A segurança nos hotéis é de responsabilidade dos seus proprietários, sendo que o serviço de segurança eletrônica hoje é de fato o mais requisitado. Antigamente, a maioria das ocorrências era de furtos e arrombamentos, cometidos por hóspedes ou visitantes. Agora com as câmeras de vigilância e fechaduras eletrônicas fica bem mais difícil", pontua Tony.

Sem levantar suspeitas: estratégias simples asseguram a entrada

Entre os assaltos à hotéis em Belém um caso tornou-se emblemático, repercutindo, inclusive, nos noticiários nacionais. Em março de 2010 cerca de vinte bandidos renderam por quase uma hora funcionários e hóspedes dos hotéis Vila Rica e Ibis, na avenida Júlio César, no bairro de Val-de-Cães. Os bandidos levaram R$ 10 mil, US$ 300,00 aparelhos celulares, câmeras fotográficas, computadores e joias.

O crime ocorreu durante a madrugada. Para que a invasão não levanta-se suspeitas, a quadrilha optou por uma estratégia simples: um casal registrou-se como hóspedes. Após a confirmação da diária, o casal anunciou o assalto e rendeu os funcionários. O restante do grupo entrou em seguida, e se dividiu entre os dois hotéis.

A investigação do crime ficou sob responsabilidade da Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), que produziu retrato falado de alguns dos envolvidos e conseguiu prender dois no mês seguinte.

Hewerton Bruno Leal da Silva, de 22 anos, o "Bruno Besta", foi encontrado e preso no município de Igarapé-Açu, nordeste paraense, já Joice Patrícia Batista Ferreira, de 21 anos, foi presa no conjunto Promorar, em Val-de-Cães, mesmo bairro em que estão localizados os hotéis assaltados.

A identificação dos suspeitos e, por consequência, a prisão deles, foi resultado da parceria da DRCO com a equipe de investigação da Seccional Urbana da Sacramenta. Após a análise das imagens gravadas pelo circuito interno de segurança dos estabelecimentos, a equipe da seccional reconheceu Joice como sendo a mulher que entrou acompanhada no hotel para reservar o quarto. Ewerton, outro que acabou indo parar na cadeia, confessou, em depoimento, ter recebido R$ 700,00 do bando para fazer a vigilância do lado de fora e impedir que a ação fosse atrapalhada.

Todos os integrantes do grupo foram identificados ao longo do anos e todos tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça.

Polícia Militar, por meio da ciptur, reforça a vigilância dos prédios

A Polícia Militar, por meio da Companhia Independente de Polícia Turística (Ciptur), atua de forma indireta na segurança desses estabelecimentos. "Dispomos de viaturas, motopatrulhamento, cavalaria e o tradicional policiamento à pé durante o período diurno. Contamos também com a parceria de outras unidades como a Rotam (Roda Ostensiva Tática Metropolitana) e com a ZPol (Zona de Policiamento) da respectiva área", explica a comandante em exercício capitã Keyla Rocha.

A partir do plano de proteção de prédios públicos e privados, a Ciptur receberá o reforço de 20 viaturas, que se somarão às cinco oficiais. O aumento do efetivo e a capacitação dos agentes também está previsto no plano.

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