Por: CNTV | Confederação Nacional de Vigilantes & Prestadores de Serviços
Postado: 23/04/2012
Ladrões playboys miram as lotéricas em Ribeirão Preto
Ataques a lotéricas
 
Segundo a polícia, locais são visados, pois movimentam dinheiro e contam com pouca segurança

Ladrões tidos pela polícia como "playboys" passaram a assaltar casas lotéricas em Ribeirão Preto como fonte de renda para sustentar uma vida de luxo. Ao menos seis lotéricas foram alvo dessas gangues desde o início do ano.

Apenas dois suspeitos foram presos até agora. Isso porque foram surpreendidos por seguranças de uma empresa de transporte de valores no momento que cometiam o roubo.

O delegado Luiz Geraldo Dias afirma que o dinheiro oriundo dos assaltos financia principalmente a compra de tênis e roupas de grife, além de motos e carros. "Os ladrões playboys querem manter ou se incluir numa classe social mais elevada. Pelas nossas investigações eles não têm ligação com o tráfico de drogas", afirma.
Pelo perfil traçado, os suspeitos de assaltar lotéricas têm idade entre 20 e 30 anos. Nem sempre residem na periferia.

Segundo o delegado, os suspeitos passaram a mirar as lotéricas devido à falta de segurança nesses estabelecimentos. "Elas tornaram-se quase um banco, uma extensão da Caixa Econômica Federal, em que a movimentação de dinheiro é grande. As pessoas podem sacar o FGTS e pagar suas contas". Dias considera a segurança ineficiente, mesmo com as câmeras de monitoramento e com agentes à paisana.

Ribeirão tem 41 casas lotéricas em atividade. Na tentativa de reduzir os crimes, o delegado explica que a estratégia é instalar portas giratórias com detectores de metais, além de manter segurança especializada, como nos bancos.

"É um investimento importante para a sociedade. Vidas estão em risco, já que os bandidos agem armados", diz o delegado.

Dois presos
Em janeiro deste ano, dois rapazes foram presos suspeitos de levar R$ 3 mil de uma lotérica na avenida Independência, na zona Sul. Policiais militares da Rocam (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas) conseguiram recuperar apenas R$ 40 em moedas.

Melhorias
O presidente do Sindicato dos Empregados em Lotéricas de Ribeirão, Clodoaldo do Carmo Campos, afirma que frequentemente tem buscado negociar melhorias para a segurança dos funcionários. "Mas a gente não consegue avançar porque sempre esbarra na questão de custos e a Caixa não quer cobrir", diz.

Segundo ele, os funcionários estão em risco, já que a segurança das casas lotéricas é bastante deficitária. "A Caixa não oferece estrutura para as empresas. Os dados envolvendo roubos são omitidos para não criar alarde", diz.

Procurados, alguns lotéricos não quiseram falar sobre o caso.

Caixa exige itens mínimos de segurança
Por meio da Assessoria de Comunicação, a Caixa Econômica Federal diz que exige alguns itens mínimos de segurança, como cofre, alarme e circuito fechado de imagens, além de "contribuir espontaneamente para estimular os empresários a investir em segurança".

Segundo a Caixa, o investimento é possível graças a uma remuneração adicional mensal, destinada às ações de segurança.
Somente em 2011 foram disponibilizados, segundo o banco, recursos na ordem de R$ 242 milhões.

"Atualmente, todas as lotéricas com movimentação mais expressiva de valores utilizam cofre boca-de-lobo e carro-forte, sendo que algumas também possuem guichês blindados", informa a assessoria.

Contrato
A Caixa explica, ainda, que a relação com o lotérico decorre de contrato firmado sob normas de interesse público. Isso porque a unidade lotérica é uma empresa privada, prestadora de serviços públicos, cuja atividade principal é a venda das Loterias Federais, na condição de permissionária.