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ATMs recicladores estreiam no país

05Jun

Depois dos terminais de autoatendimento (ATMs) anti-bomba e dos caixas com biometria para reconhecimento de clientes - por meio de veias da mão, digitais, entre outros - o mercado bancário começa a receber os primeiros equipamentos recicladores de notas. Com tecnologia capaz de reconhecer cédulas e identificar notas verdadeiras e falsas, essas máquinas permitem que o dinheiro de depósitos seja reaproveitado para saques, reduzindo o custo dos bancos com o transporte de valores entre 40% e 50%, segundo os fabricantes. Para os clientes, esses ATMs têm como vantagem permitir que o depósito em dinheiro seja creditado de imediato na conta.

Hoje, a fabricante americana Diebold anuncia a estreia de ATMs recicladores de notas em uma parceria com a Saque e Pague, ex- GetNet. A OKI Brasil, NCR e Perto Tecnologia também negociam acordos com bancos e redes de caixas automáticos para instalação destes equipamentos este ano. Para os fabricantes, os ATMs recicladores de notas contribuirão para acelerar o ritmo de expansão do mercado de caixas automáticos, que cresce no país 2% ao ano. Em 2013, o país possuía 166 mil ATMs em uso, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

A Diebold, que lidera o mercado de ATMs no país com 44% de participação, começou a produzir os terminais recicladores de notas em Manaus. João Abud Junior, presidente da Diebold no Brasil, disse que tem pedidos para entregar este ano 120 terminais à Saque e Pague e negocia mais encomendas com bancos. "Existem equipamentos em testes de homologação. A questão para os bancos é eleger as áreas onde a relação entre depósitos e saques é similar", disse Abud.

Abud disse que em agências bancárias os clientes fazem mais saques do que depósitos, o que torna pouco provável a adoção dessa tecnologia nas agências. "As instituições financeiras têm avaliado locais onde há mais muita circulação de dinheiro, como hipermercados e shopping centers", disse. Abud estima que as vendas de ATMs recicladores de notas representarão de 5% a 8% das receita da Diebold em 2015. O executivo estima para este ano um ganho de receita no país de dois dígitos. No primeiro trimestre, a receita da Diebold no Brasil cresceu 65,9%, para US$ 130,6 milhões.

O plano da Saque e Pague, empresa brasileira de serviços para bancos e varejo, é investir mais de R$ 200 milhões em quatro anos, para formar uma rede de 3 mil ATMs. A companhia, que tornou-se independente após a compra da GetNet pelo Santander, investiu neste ano R$ 20 milhões para colocar no mercado 50 ATMs, em parceria com o Banrisul, no Rio Grande do Sul, e o Banpará, no Pará.

Givanildo Luz, presidente da Saque e Pague, disse que a rede comprou outros 100 terminais e a meta é coloca-los em operação até o fim do ano. A empresa atingiu 1,5 milhão de transações processadas até o fim de maio e espera fechar o ano com 3 milhões de transações. Para se ter uma base de comparação, a TecBan opera 31 mil terminais no país e processa 5,2 milhões de transações por ano.

"A estratégia consiste em oferecer uma mini agência bancária, acessível também para o público não bancarizado", afirmou Luz. A Saque e Pague implantou em sua rede apenas ATMs recicladores de notas, que também permitem realizar transações não-bancárias, como venda de bilhetes de transporte e ingressos e recarga de celulares pré-pagos. "O terminal permite fazer operações sem ter uma conta", disse Luz. O alvo da companhia inclui clientes dos bancos parceiros e a população não bancarizada, estimada em 50 milhões de pessoas.

A Saque e Pague instalou terminais em áreas onde há grande volume de transações diárias em dinheiro, como feiras, restaurantes e postos de combustíveis. A companhia também negocia parcerias com outros bancos e com operadoras de telecomunicações para reforçar o negócio nacionalmente.

A rede Saque e Pague é a primeira a colocar ATMs recicladores de notas em uso o país. No mundo, essa tecnologia é usada em 46 países. De acordo a consultoria britânica RBR, os recicladores de notas responderão por 18% da base de ATMs em uso no mundo até 2018, ante 15% atualmente. Para o mercado total de ATMs, a consultoria estima um crescimento de 44% entre 2013 e 2018, chegando a 3,7 milhões de equipamentos em uso.

A americana NCR, que no Brasil detém 18% do mercado de caixas automáticos, também negocia com bancos a adoção de ATMs recicladores, disse Elias Rogério da Silva, vice-presidente da NCR para América Latina. A companhia lidera o mercado no mundo, com 33% de participação e tem planos de chegar a esse percentual no país em cinco anos. Para isso, disse Silva, a NCR pretende trazer ao país terminais recicladores de notas e que fazem reconhecimento digital de cheques. "Ainda dependemos de validação dessa tecnologia para trazer a inovação ao país", disse.

A OKI Brasil, fruto da união entre a japonesa OKI Electric com a Itautec, é outro fabricante que negocia com bancos a adoção desses terminais. Wilton Ruas, diretor de operações da OKI Brasil, disse recentemente ao Valor que os ATMS recicladores de notas responderão por 10% do mercado de terminais bancários até o fim de 2016.

Fonte: Valor Online

Fala CNTV

                Segundo o presidente da Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV), José Boaventura, a preocupação é que a tecnologia não gere desemprego nem substituição de mão de obra. “Sem dúvida alguma, o que os bancos miram é reduzir as operações de abastecimento desses caixas e, consequentemente, o emprego dos vigilantes de transporte de valores. O governo não pode permitir isso. Emprego é prioridade!”, ressaltou.

Fonte: CNTV

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