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Greve amplia serviços e riscos para lotéricas

26Set

A greve dos bancários entrou na segunda semana, sem previsão para ser encerrada. Com mais de 70% das agências paralisadas na cidade – segundo estimativas do sindicato da categoria, atɠesta terça-feira – das poucas portas ainda abertas para pagamentos e até recebimentos, muitas são de agências lotéricas da cidade.

O setor ainda não contabilizou o quanto a greve dos bancários já provocou no aumento da demanda das lotéricas em Bauru, mas já se preocupa com o quanto esse volume vai implicar na ampliação do serviço e também de riscos quanto à segurança, tanto para clientes como para as empresas.

“Cada lotérica, dentro de suas condições, vai procurar atender da melhor forma possível, dando suporte à população, apesar da greve (dos bancários)”, tranquiliza Sueli Falcão, delegada de Bauru e Marília do Sincoesp (Sindicato dos Comissários e Consignatários do Estado de São Paulo).

Apenas correspondentes /O problema é que nenhuma lotérica oferece aos seus clientes as mesmas condições de segurança que um banco normalmente dispõe (porta giratória, guarda armada, etc).

Primeiramente porque, apesar das transações que realizam, as lotéricas não são, legalmente, bancos, mas “correspondentes bancários”.
“São empresas, integrantes ou não do Sistema Financeiro Nacional, contratadas por instituições financeiras e demais instituições autorizadas pelo Banco Central do Brasil para a prestação de serviços de atendimento aos clientes e usuários dessas instituições”, define o próprio Banco Central.

As lotéricas, no caso, estão vinculadas à CEF (Caixa Econômica Federal), principalmente pela natureza principal de suas atividades: a aposta de jogos autorizados pelo banco estatal (Mega-Sena, Lotofácil, Lotomania e outros).

Hábito / É justamente para fazer a “fezinha” de quando em quando que o cliente acaba acumulando os serviços de apostas e pagamentos, ainda mais em períodos de greve.

“Já venho aqui e faço as duas coisas. Economiza o meu tempo”, argumenta a doméstica Helena Aparecida da Silva, 53 anos. “Não faz diferença esse negócio de segurança, não. Em todo lugar a gente corre perigo, né!”, defende.

O raciocínio é semelhante ao do estagiário Guilherme Negreiros. “Pago água, luz, telefone... tudo. Banco para mim é só para fazer transferência. E on-line”, diz.

Com ou sem greve, o bauruense parece já ter se acostumado a fazer das lotéricas uma ‘extensão’ do banco. “Há dias que chegamos a ter uma média de 300 pessoas aqui na lotérica”, afirmou um correspondente de uma unidade central da cidade, que não quis se identificar. O motivo? Segurança.

As lotéricas, aliás, ficaram de fora da lista de instituições financeiras que deverão implantar dispositivos de segurança de acordo com projeto de lei enviado pelo Executivo à Câmara Municipal.

Pagamentos têm teto e regras em lotéricas
As agências não recebem qualquer conta. Se for da CEF e estiver vencida, o limite é de R$ 2 mil. Caso o boleto tenha origem em outro banco, não pode ter passado da data-limite e ter valor superior a R$ 700

25
É o número atual de lotéricas em Bauru


Saques também são limitados nas agências
Clientes dos dois bancos estatais parceiros das lotéricas (Banco Postal) também têm limite para saques: R$ 500, para os do Banco do Brasil, e até R$ 1 mil aos da CEF

Lotéricas não têm como investir em segurança, diz delegada
Apesar dos riscos, as lotéricas não têm lucratividade suficiente para fazer investimentos na própria segurança. A argumentação é do setor patronal.
“Não existe a possibilidade de colocarmos porta giratória, nem manter vigilantes devido ao custo que isso vai nos gerar”, afirma a delegada sindical e dona de três lojas em Marília, Sueli Falcão.

Segundo salienta a dirigente, a “grande maioria” das lotéricas são empresas pequenas, com poucos funcionários e despesas permanentes, como os de aluguel, principalmente.

“Nós trabalhamos com uma realidade bem diferente do que enxerga a população. Não somos como os bancos, que geram muito mais dinheiro do que a gente”, compara Falcão.

A delegada frisa ainda que, da mesma forma que o dinheiro chega, também sai das lotéricas, principalmente nos saques feitos por correntistas do Banco do Brasil ou da CEF. “Foi um jeito, bem planejado de se evitar que as lotéricas não acumulem tanto dinheiro”.

Atualmente, o Sincoesp cobra um repasse maior dos bancos estatais. Segundo apurou o BOM DIA, os agentes lotéricos recebem taxas bem menores que as da CEF. Enquanto uma lotérica recebe R$ 0,35, a CEF fica com quase R$ 2 de cada transação.

Não bastasse argumentar que ganha pouco para fazer serviços bancários - o que, na verdade, se dispôs a fazer - as lotéricas ainda dizem enfrentar o aumento da concorrência. Em Bauru, por exemplo, há 25 casas lotéricas. Na região são 63. Algumas até recorrem a algum tipo de comércio paralelo - desde que não concorrentes aos jogos lotéricos promovidos pela CEF.

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