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Unidades de saúde ficam sem vigilantes

25Jun

Em ) - 10 2011 30

Uma empresa da cidade de Botucatu que prestava serviços de segurança fechou repentinamente suas portas nesta quinta-feira (20), deixando na mão funcionários e órgãos privados e públicos de Bauru e de outras cidades do estado de São Paulo.

Hospitais, Unidades de Pronto Atendimento, universidades públicas, secretarias municipais, uma grande empresa de bebidas, a imprensa oficial do Estado de São Paulo, shoppings e empresas que organizam festas estavam entre os principais clientes da Portal Segurança Privada.

As prefeituras das cidades de Marília, Ribeirão Preto, Piracicaba, Botucatu, Limeira, Piraju, São Paulo e Bauru estão enfrentando problemas para recompor a grade de funcionários.

Mais de 50 vigilantes que prestavam serviços nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e nos Prontos Socorros de Bauru estão sem trabalho e há mais de dois meses não recebem seus salários. Em dezembro de 2011, eles já haviam enfrentado problemas para receber. A situação parecia ter se normalizado no início do ano, mas em abril o problema voltou acontecer. Na manhã desta quinta-feira (20), ainda sem saber que a empresa iria encerrar suas atividades, os funcionários foram dispensados do serviço.

No final da tarde, o advogado da Portal, Ronaldo Tecchio Júnior formalizou o anúncio que já se esperava: “Infelizmente, a Portal não irá conseguir mais continuar suas atividades”. Ele afirmou que a principal preocupação da empresa agora é o pagamento de seus funcionários. Disse não ter, entretanto, prazos para os pagamentos e nem mesmo o número de funcionários prejudicados. “Nós estamos levantando todos esses dados o quanto antes.”

Tanto os funcionários que perderam seus empregos quanto os órgãos que contratavam os serviços estão enfrentando graves problemas com a situação. Na tarde d esta quinta-feira (20), a reportagem do BOM DIA esteve no Pronto Socorro Central e pôde, sem dificuldade alguma, percorrer as salas, enfermaria, alas de emergência. Em todo o percurso não houve um pedido sequer de identificação.

Para tentar controlar a situação, desvios de função estão acontecendo. No Pronto Socorro Central, um funcionário da manutenção tenta se desdobrar entre a portaria principal e da emergência. Como a reportagem pôde constatar, mediante o número de pessoas que passa diariamente pelo pronto atendimento, a tentativa é em vão.

Na UPA do Bela Vista a situação é a mesma. Um ajudante geral foi escalado para tomar conta da portaria. Enquanto a reportagem estava no local, um paciente muito alterado começou a gritar e pedir agilidade no atendimento. O ajudante, sem saber muito bem o que fazer, precisou contê-lo e acalmá-lo.

O autônomo Claudinei Pedon, 31 anos, estava há pouco mais de uma hora aguardando atendimento e afirmou que aquele não era o primeiro transtorno. “Agora há pouco, entrou um homem que parecia ter usado drogas e foi difícil para conseguir acalmá-lo”, diz.

Claudinei, assim como outros pacientes abordados, disse sentir-se inseguro com a situação. “A prefeitura tem que tomar providências porque é muito perigoso ficar assim”.

No Pronto Socorro Central a opinião é a mesma. O autônomo Osvaldo Gatavesquez estava inconformado com a situação. “Um paciente entrou nervoso, gritando e nós mesmos tivemos que acalmar ele. O atendimento já não é bom e agora ainda não tem segurança. Como que fica a população?”.

O BOM DIA apurou que na Unesp de Botucatu, a situação se repete. Foi relatado que os seguranças que trabalhavam nas universidade também estavam com seus salários atrasados há, pelo menos, um mês.

A Portal está cancelando os contratos que tinha com os órgãos públicos. Em Bauru, o pedido de cancelamento foi feito nesta terça-feira, dia 20.

Até o início da tarde d esta quinta-feira (20), era possível, pelo site da empresa Portal, agendar uma visita requisitando um serviço. No final da tarde, o site foi colocado fora do ar.

Ex-funcionários fazem B.O contra empresa

Indignados, cerca de 50 vigilantes se amontoaram nesta quinta pela manhã no plantão policial de Bauru para registrar boletim de ocorrência contra a empresa Portal. Sem saber que a firma havia decidido fechar as portas e rompido o contrato com a prefeitura há dois dias, eles protestavam contra salários atrasados.

“Estou sem receber desde maio e preciso do pagamento para quitar a pensão alimentícia atrasada de meu filho de três anos”, afirmou Luiz Fernando da Silva, 34, que é vigia há um ano e dez meses no Pronto Socorro Central.

Além do atraso no salário, eles reclamavam do não pagamento de vale-alimentação, vale-transporte e dos 20% do adicional de insalubridade que deveria ser incorporado automaticamente no contra-cheque mensal.

Os trabalhadores também alegaram no registro policial que a empresa recolheu todo o equipamento utilizado no trabalho (como cacetetes e rádios), além dos livros de registro de entrada e saída. “Chegamos para trabalhar ontem na quarta-feira e um dos representantes da empresa disse que estávamos dispensados e deveríamos procurar a Justiça”, afirma José Antônio de Araújo, que trabalhava no PS Central.

Ivair Henrique, líder dos vigilantes em Bauru da Portal, alegou que orientou os funcionários a não irem mais trabalhar por determinação de seus superiores. “Na quarta-feira à noite, a empresa me informou que deveríamos parar tudo”, alegou.

Orientados pelo Conselho Gestor do Pronto Socorro Central, os funcionários foram até o Ministério Público do Trabalho oficializaram a denúncia contra a Portal, exigindo os direitos atrasados e a compensação pela rescisão do contrato/ Cristiano Pavini

Saúde sem segurança
Em Bauru, o Pronto Atendimento Infantil, as Upas do Mary Dota e do Bela Vista e o Pronto Socorro Central estão enfrentando problemas com a falta de seguranças.

54
É o número de funcionários da Portal que prestavam serviços em Bauru

Reunião
O secretário de Saúde de Bauru, Fernando Monti, se reunirá às 10h30 da manhã de hoje com a comissão de ex-vigias que atuavam na cidade e com a CUT (Central Única dos Trabalhadores) para tentar manter os serviços de vigia até que uma nova empresa seja contratada

R$ 60 mil
Valor mensal aproximado pago pela Prefeitura à Portal

Prefeitura alega que foi pega por ‘fator surpresa’

A empresa Portal venceu a licitação para prestação de serviços de vigilância nas unidades de saúde de Bauru em agosto de 2011 e, após meses de problemas (principalmente ameaças de greves dos funcionários por conta dos salários atrasados), comunicou na terça-feira (19) a “rescisão unilateral do contrato por dificuldades financeiras”.

Hoje completam, portanto, três dias sem que a prefeitura tenha encontrado solução para as unidades de saúde completamente desprotegidas.

“Não houve serviço de segurança nestes locais devido ao fator surpresa no que se refere à comunicação da empresa, que imediatamente retirou os seus funcionários dos respectivos postos de trabalho”, alegou a prefeitura em nota.

Além disso, a previsão é de que a licitação para contratação de nova empresa seja feita apenas em agosto. Até lá, a prefeitura espera entrar em um acordo com a empresa para que os serviços voltem a ser prestados.

A Secretaria da Saúde também afirmou que não orientou nenhum funcionário a exercer a função de vigia nas unidades, apesar dos flagrantes de desvio de função revelados pelo BOM DIA. Como o serviço de vigia foi terceirizado, cabe à empresa Portal realizar o acerto da dívida com os trabalhadores.

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