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Operação perigosa

05Mar

Não se ignoram os avanços conseguidos na qualidade da segurança pública do Ceará nos últimos tempos. Ainda assim, é visível a presença ativa do crime no cenário da violência afetando, sobretudo, os estabelecimentos bancários, sua clientela e os operadores das agências.

A morte do engenheiro Kelbson Nogueira Diógenes, no estacionamento de uma agência bancária, na Avenida 13 de Maio, em Fortaleza, é a última ocorrência de uma sequência posta em prática por celerados experientes. Essa modalidade de delito contra a pessoa tem dimensões nacionais, denotando, assim, a fragilidade do modelo de segurança bancária em vigor em todos os Estados.

Este ano, no Nordeste, pelo menos 39 assaltos foram praticados contra as instituições bancárias, sete dos quais no Ceará. Se antes, as operações criminosas miravam a destruição dos caixas eletrônicos, agora a audácia evoluiu para a implosão das agências, como ocorreu com a unidade do Banco do Brasil de Banabuiú, no sertão central.

Uma pesquisa promovida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro e pela Confederação Nacional dos Vigilantes constatou 49 assassinatos, em 2011, em decorrência de assaltos a cliente de agências de banco. Elas foram lideradas por São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul. Em 2010, foram 23.

Os crimes resultantes das chamadas "saidinhas de banco" ocasionaram, no ano passado, em 32 mortes no País. Em 2010, as estatísticas das organizações promotoras da pesquisa haviam constatado 10 baixas. Portanto, a retirada de dinheiro em banco tem sido a atração maior para os assaltos aos clientes e, em casos de reação, com a morte dos defensores de seus haveres.

A questão, entretanto, tem uma dimensão maior. O caso do engenheiro civil assassinado na Avenida 13 de Maio, é ilustrativo dessa problemática. Ele havia retirado do banco R$ 21 mil para o pagamento da folha dos empregados de sua empresa de engenharia. Há muito, se reclama a necessidade do transporte de valores, por empresas especializadas, para as médias, pequenas e microempresas, evitando-se esses saques.

Depois, a rede bancária já opera com cartões de débito e crédito, com os quais os trabalhadores de uma empresa não necessitam receber salários em espécie em dia determinado do mês. O cartão magnético tem flexibilidade para permitir retiradas nos caixas eletrônicos.

Ainda mais, os bancos precisam ampliar a oferta de serviços de tecnologia, de tal modo a instalar maior número possível de caixas eletrônicos, diminuindo as filas no interior das agências e evitando o afastamento das pessoas de seus locais de trabalho.

Quanto à segurança das agências de banco na Capital e no Interior, a tranquilidade de suas operações dependem, essencialmente, de aparato maior recheado com serviços de inteligência e de repressão. Mas uma agência não pode se tornar uma guarnição militar, mesmo porque não resolveria o problema, uma vez que os crimes são cometidos em ambiente externo.

O aparelho policial repressor do Estado, por sua vez, não dispõe de efetivos para guarnecer os bancos, nem de mobilidade suficiente para abortar os ataques dos marginais na rua. Suas estratégias seriam sempre reativas.

Os empresários, especialmente, são os mais prejudicados porque necessitam de dinheiro em espécie para o custeio de suas operações. Retirá-lo nos bancos torna-se cada vez mais operação perigosa.

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