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No Bradesco, pobres são empurrados para os correspondentes bancários

12Jan

Em ) - 10 13 2010

Os bancos continuam desenvolvendo formas de não contribuir com o desenvolvimento social do país. Criado para democratizar o acesso ao sistema financeiro, o correspondente bancário virou símbolo do preconceito e discriminação dos bancos, que empurram os mais pobres para este tipo de atendimento.

Foi o que constatou, in loco, o Sindicato dos Bancários de Dourados e Região nesta terça-feira (10/1) na agência centro do Bradesco em Dourados. No momento da visita dos diretores do sindicato havia cinco funcionários do banco, a pretexto de orientar, fazendo a triagem e mandando os clientes “indesejados” para serem atendidos nos correspondentes bancários.

O Sindicato comunicou a administração da agência sobre o preconceito e discriminação e pediu providências, sob pena de tomar outras medidas para coibir esse tipo de prática do banco, que lucrou R$ 8,3 bilhões apenas nos 9 primeiros meses do ano passado.

Para Raul Verão, presidente do sindicato dos bancários, “A atitude do Bradesco se configura em discriminação comprovada, já que uma pesquisa feita pelo Instituto Fractal mostrou que 41% das pessoas que utilizam o correspondente bancário têm renda mensal entre R$ 251,00 e R$ 500,00. Outros 53% ganham salários de R$ 500,00 a R$ 800,00, enquanto os 6% restantes sobrevivem com R$ 250,00 a cada trinta dias”.

Ainda segundo Raul, “A prerrogativa de ser atendido em um correspondente bancário sem as mínimas condições de segurança e conforto, ou numa agência bancária, têm que ser do cliente e não uma imposição dos bancos, como vem fazendo o Bradesco, barrando a entrada na porta da agência”. Raul lembra ainda que: “tudo que acontece com o cliente dentro de uma agência bancária é de responsabilidade do banco”.

A maior preocupação do sindicato é em relação à segurança dos próprios clientes, já que pesquisa nacional mostrou que 49 pessoas foram assassinadas em assaltos envolvendo bancos em 2011, o que representa um aumento de 113,04% em relação a 2010. Das 49 mortes a maioria das vítimas foram clientes (30), seguido de vigilantes (8) e policiais (6). O levantamento foi realizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV), com base em notícias da imprensa e apoio técnico do Dieese.

A situação nos demais bancos não é muito diferente, inclusive nas instituições públicas. Ao mesmo tempo em que empurram os mais pobres para fora das agências, os bancos têm investido pesado para atrair clientes mais ricos. O preconceito dos bancos com os mais pobres prejudica diretamente o emprego dos bancários. Na década passada, o crescimento do número de correspondentes foi um dos vilões da redução de postos de trabalho entre os bancários. Em 1990, o Brasil tinha mais de 750 mil trabalhadores na categoria. Hoje são cerca de 465 mil.

Os bancários estão nitidamente sobrecarregados. O resultado disso são estresse e doenças ocupacionais para os trabalhadores e queda da qualidade do atendimento para os clientes. Para os correspondentes sobra a precarização do emprego, já que fazem o mesmo trabalho dos bancários, mas ganham menos e não têm os mesmos direitos previstos na Convenção Coletiva. Além disso, os correspondentes não atende às condições mínimas de segurança, pois, muitas vezes, operam em locais precários.

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