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FARRA DOS ARROMBADORES

04Jan

Em ) - 10 147 2010

Em Caxias do Sul, houve aumento de 39,7% nas ocorrências em 2011. Ataques no Litoral Norte, especialmente em Arroio do Sal, estão fazendo parte da rotina dos veranistas. Para piorar a situação, a estrutura dos órgãos de segurança é insuficiente para combater ladrões nas duas regiões

Caxias do Sul – Com PMs insuficientes no policiamento e um número escasso de agentes para investigar crimes, a Brigada Militar (BM) e a Polícia Civil estão perdendo a guerra contra ladrões de casas. A situação é a mesma em Caxias do Sul e em Arroio do Sal, um dos principais destinos de caxienses no verão. As vítimas são os moradores da cidade e os veranistas do balneário que amargam, além do prejuízo financeiro e emocional, o descaso dos órgãos de segurança pública para os delitos classificados como de menor potencial ofensivo.

Praticados sem violência, os arrombamentos, que lesam, em média, um caxiense a cada nove horas e meia, não são prioridade nas investigações nem em atendimentos da BM. Talvez essa possa ser a explicação para que os casos tenham aumentado 39,7% nos 11 primeiros meses de 2011 na maior cidade serrana em relação ao mesmo período de 2010. Em Arroio do Sal, de quinta-feira a sábado, 26 casas foram alvos de criminosos.

Em Caxias, deveriam estar lotados 687 brigadianos, mas há 450, sendo que apenas 250 cuidam da segurança pública. Ou seja, em média, 60 policiais estão no policiamento em cada um dos quatro turnos de trabalho da corporação. Com déficit de efetivo, a BM é incapaz de policiar com eficiência ruas e avenidas de bairros e loteamentos, onde estão mais de 147 mil domicílios.

De acordo com o comandante do 12º Batalhão de Polícia Militar (12º BPM), major Jorge Emerson Ribas, parte do crescimento dos crimes contra o patrimônio pode ser explicada pela alteração no Código de Processo Penal. A mudança tornou mais flexível a legislação, o que teria aumentado a sensação do “não dá nada”, especialmente entre os autores de furtos e receptação.

– O retrabalho e a prisão das mesmas pessoas aumentam a sensação de impunidade. Nos furtos, mesmo que presos em flagrante, os criminosos ficam recolhidos um ou dois dias, no máximo. Em algumas vezes, sequer vão para o presídio – comenta Ribas.

Como alternativa, o comandante aconselha a população a investir em segurança privada e, na época de férias, adotar medidas preventivas para evitar surpresas desagradáveis no retorno.

Se a BM sofre com a falta de efetivo, na Polícia Civil a situação não é diferente. A cidade deveria ter, pelo menos, 250 policiais, mas conta com menos de 100. Para agravar o problema, em 2012 está previsto um esvaziamento das delegacias caxienses por causa de aposentadorias e transferências. Apesar dessa deficiência, a Polícia Civil garante que todo crime recebe atenção.

Conforme o delegado Paulo Roberto Rosa da Silva, o aumento de quase 40% nos indicadores é o reflexo da baixa pena a que foram condenados os integrantes de uma quadrilha desbaratada pela Polícia Civil em 2009. O bando ficou preso durante todo o ano de 2010, mas em 2011 ganhou a liberdade.

– Pelas investigações, podemos dizer que muitos daqueles bandidos seguem atuando. Estamos trabalhando para identificar outras pessoas – afirma o titular da Delegacia Regional da Polícia Civil, que aproveita para alertar a população sobre a importância dos registros dos crimes para a corporação mapear onde acontecem os ataques e identificar vítimas por meio de objetos apreendidos.

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