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Segurança Pública: as estatísticas e as sensações

25Jul

Na semana passada, o secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, apresentou um balanço dos números referentes aos índices de violência no estado registrados no primeiro semestre de 2011. As estatísticas divulgadas pela SSP revelaram uma redução de 16% do número de homicídios na Bahia e a queda de 13,5% em Salvador. Na Região Metropolitana esse decréscimo foi de 8,2%, em comparação ao mesmo período do ano passado. Por outro lado, as tentativas de homicídios tiveram um aumento de 3,8%, ou seja, há mais assassinos à solta ou os que já atuavam antes estão intensificando suas "atividades", digamos assim.

O fato é que, apesar de as estatísticas revelarem que menos pessoas morreram assassinadas , as últimas notícias nos lembram, por outro lado, que modalidades outrora consideradas menos violentas – como a saidinha bancária – têm se configurado cada vez mais se transformado em outro tipo de delito: o latrocínio ou, na menos pior das hipóteses, a tentativa de homicídio. É o caso do baterista da banda Estakazero, Paulo César Perrone de Souza Júnior, de 32 anos, baleado na cabeça na última terça-feira (19) e suspeita-se que tenha sido vítima de saidinha bancária.

Também nesta semana, a imprensa noticiou fartamente a morte de Kelly Ciclone, a “musa do tráfico”, como alguns veículos de comunicação a denominaram. A morte da jovem de 22 anos é um fato emblemático sobre a degradação a que está submetida a juventude brasileira – a baiana inclusa – cada vez mais exposta à tentação maldita de ingressar na criminalidade.

Se partirmos do pressuposto de que as estatísticas não são distorcidas, não há dúvida de que os índices diminuíram: os números mostram. Mas, e a sensação de insegurança foi reduzida? Alguém mais consegue fazer um saque no banco e não deixar a agência em completo estado de paranóia? Quem, além de Caetano Veloso, para no sinal vermelho depois das 22h em Salvador? – ressalvados os casos de cruzamentos e travessia de pedestres, claro. Casa de muro baixo virou raridade, a indústria da segurança privada cresce exponencialmente, assim como crescem as vendas de ansiolíticos e a vontade de ficar em casa para se sentir protegido.

Praticamente todo santo dia, há um crime envolvendo usuário de motocicleta. Há quem defenda a colocação de chips de monitoramento nas motocicletas que saem das fábricas; há quem proponha leis proibindo duas pessoas de circularem numa mesma moto. Ora, não se pode fazer generalizações estapafúrdias do tipo ‘todo motociclista é ladrão’, muito menos chegar a ingênua conclusão de que ‘todo ladrão anda de moto’. Mas a constante reincidência do uso do veículo de duas rodas em certos delitos já deveria ter suscitado uma política de policiamento que coibisse ou pelo menos desestimulasse a bandidagem a investir nesse tipo de abordagem.

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