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Américas têm 575 mil mortes violentas por ano

06Jun

Em ) 10 13 2011 40%

A Organização dos Estados Americanos (OEA) divulga hoje, em assembleia geral em El Salvador, um estudo explosivo sobre segurança. Uma das conclusões é que o continente americano é a região mais violenta do mundo, devido ao que os funcionários do organismo já consideram “o fenômeno do momento”: o crime organizado. Em 2009, morreram de maneira violenta mais de 575 mil pessoas na região. Nesta estatística, foram registrados 133.813 homicídios dolosos, ou seja, um a cada quatro minutos.

Os dados constam do “Relatório Alertamérica sobre Segurança Cidadã 2011”, ao qual somente O GLOBO, entre os meios de comunicação brasileiros, teve acesso. O objetivo do documento é servir de preparação de políticas públicas no campo da segurança.

Brasil está em faixa intermediária de assassinatos

Mas por que há mais mortes violentas nas Américas do que em regiões como a África e o Oriente Médio? O economista Vinícius Coimbra, um dos colaboradores na confecção do relatório, com foco na América Latina, explica:

— Estamos falando, no caso da América Latina, de violência urbana, em que entram o tráfico de drogas, as milícias, o crime organizado em geral.

Coimbra destaca que a educação e o desenvolvimento econômico estão intimamente ligados à segurança pública. Quanto mais elevado o nível educacional de um país, menor o índice de violência.

Ainda de acordo com o relatório Alertamérica, em 2009 havia no Brasil, em média, 20,32 crimes a cada 100 mil habitantes. Os estados mais violentos eram Alagoas (60), Espírito Santo (56), Pernambuco (50), Rio de Janeiro (34) e Goiás (34). Porém o país ainda se encontra em uma faixa intermediária, juntamente com México, Trinidad e Tobago e Costa Rica.

De acordo com o relatório, nos países mais violentos da África Subsaariana (África do Sul, Burundi, República Democrática do Congo e Lesoto), a taxa de homicídios dolosos por 100 mil habitantes não passa de 40. Nas Américas, em pelo menos seis países os índices estão bem acima disso: Honduras, El Salvador, Jamaica, São Cristóvão e Névis, Venezuela e Guatemala. Já os menos violentos são Canadá, Chile, Suriname, Estados Unidos, Argentina, Barbados, Uruguai e Granada.

O altíssimo nível de homicídios dolosos, a superlotação das prisões, o aumento significativo da presença de guardas privados e a precariedade dos registros administrativos são fatores que atingem, em menor ou maior proporção, todos os países das Américas. No último caso, a omissão de ocorrências acaba mascarando as estatísticas.

Por exemplo: comparando os roubos registrados junto às autoridades com os casos informados pelas Pesquisas de Vitimização, apenas um entre dez casos são comunicados à polícia. As lacunas existentes indicam que muitos dados não são conhecidos e a maioria dos governos vem elaborando as suas políticas de segurança às cegas, sem poder acompanhar a sua aplicação com indicadores precisos ou avaliar os seus resultados.

Também chamou a atenção uma tendência, em todos os países, de aumento acelerado da segurança privada. Isso sugere que os cidadãos preferem viver em comunidades fechadas, atrás de muros e guaritas, a pagar impostos para terem uma polícia bem treinada, equipada e preparada.

Segurança privada se espalhou a diversos setores

Essa situação é mais acentuada no Caribe. Atualmente, há mais guardas ou seguranças privados na região do que policiais ou soldados. Se, até a década de 1990, o desenvolvimento da indústria de segurança privada era direcionado aos setores comercial, industrial, turístico e público, agora se encontra nas mais variadas áreas da sociedade civil, o que demonstra a falta de confiança dos cidadãos nas polícias. Uma das conclusões do levantamento é que a criminalidade é mais visível, mas não é a única forma de violência. Há outras que são, na maioria das vezes, toleradas e até justificadas, diz o relatório.

“Entre elas encontramos as chamadas violências estruturais: pobreza, exclusão social, discriminação, inacessibilidade à educação e à saúde, desnutrição”, diz o documento.

No âmbito das respostas à violência urbana, uma delas, tida como “altamente perigosa” pelos autores, é o armamento civil. “A ideia de que os cidadãos devem se armar para se defender de potenciais agressões resulta em uma ameaça à convivência no marco dos direitos”.

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