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Cresce número de mulheres vigilantes

30Mai


Telma Aparecida Brandão Marques, 32 anos, é casada, têm dois filhos e, há alguns dias, era apenas uma pacata dona de casa. Entretanto, desde ontem, mudou de forma radical sua rotina. Juntamente com um número crescente de mulheres, Telma se formou em um curso de vigilantes em Bauru. Bem humorada e otimista com as possibilidades abertas, ela já manda um recado ao marido. “É bom ele andar na linha comigo. Agora, o rolo de macarrão vai ser substituído pelas balas”, diz, aos risos.

Ontem, mais uma turma foi formada em uma escola de vigilantes de Bauru. Com cabelos longos e maquiadas, Telma e mais sete mulheres estavam lá. Elas representavam 20% do total dos alunos, o que, segundo o gerente da escola, Inimar Alves Moreira, é o número normal de mulheres no curso.

“Há cerca de cinco anos, era difícil ver mulheres nas turmas. Hoje, sempre temos entre oito ou 10 em cada grupo. As empresas procuram porque sabem que um vigilante não precisa ser só baseado em força física, precisa ter inteligência também, algo que as mulheres têm de sobra”, aponta.

Na escola em questão, o curso dura 18 dias. Nesse período, os alunos – tanto homens quanto mulheres - aprendem técnicas contra incêndios, defesa pessoal, primeiros socorros, lições sobre armamento, segurança privada e, inclusive, como atirar.

De acordo com o diretor adjunto da escola, Adelino Mendonça Neto, que acompanha diretamente os treinamentos, o ingresso da mulher no ramo da vigilância segue a vertente de todas as outras profissões.

“A mulher está inserida em todas as áreas do mercado de trabalho. Verificamos isso também nesse setor. E as próprias mulheres enxergam isso, uma vez que estão procurando mais se profissionalizar”, explica.

Adelino Neto ainda afirma que, em alguns casos, as qualidades da mulher passaram a ser preferidas pelas empresas contratantes. “É da natureza do sexo feminino ser mais observador e detalhista. E isso é muito importante nesse tipo de serviço. As empresas já enxergam essa qualidade e procuram mais as mulheres”, complementa o diretor adjunto.

Habilitadas no curso, que, de acordo com os gerentes, é autorizado pela Polícia Federal, as novas vigilantes podem trabalhar em eventos, na segurança de empresas, agências bancárias, hospitais, escolta e até em carros-fortes.


Preparar, apontar...


...Fogo. Foi exatamente nas aulas de tiro que Telma Marques ficou mais apavorada. Sem nunca ter passado perto de um revólver, ela conta que ficou muito nervosa. O instrutor de tiro Edmilson José Zupiroli, entretanto, afirma que a aluna se saiu bem. “Assim como todos, tremeu um pouco no começo. Mas isso acontece com todo mundo, tanto homem quanto mulher. Trabalhei com a Polícia Militar e dou o mesmo treinamento aqui. Posso garantir que essas mulheres estão preparadas para agir em qualquer situação de risco”, afirma.

Ao ouvir a aprovação do professor, Telma fica satisfeita e já pensa no futuro. “Sempre gostei do ramo de vigilância e vou lutar para conseguir emprego na área. Há alguns dias, eu era uma dona de casa. Amanhã, serei uma vigilante.”


Orgulhoso, marido ganha ‘colega de trabalho’


Na formatura dos vigilantes realizada ontem, estava Danilo Fernando Gomes, 26 anos. Entretanto, ele não era um formando. Com mais de um ano trabalhando na área, Danilo estampava um sorriso maior até mesmo do que o dos recém-vigilantes. O motivo do orgulho é que sua esposa, Rosana Sebastiana Pereira de Oliveira, 33 anos, se tornara a sua mais nova “colega de profissão”.

“Estamos há mais de cinco anos juntos e eu não imaginava que ela teria essa coragem. Estou muito orgulhoso mesmo. Sempre a apoiei e sei que ela vai se dar bem”, conta.

Apesar de Rosana empunhar um revólver a poucos metros do marido, com certeza, os elogios foram feitos de forma espontânea. “Tem gente que confunde a mullher ter fibra com o fato de ela não ser mulher. Ela tem fibra, é dedicada e garanto que é muito feminina”, completa.

Rosana, que antes trabalhava como balconista, confirma o que o marido disse. “Não é preciso deixar de ser mulher para atuar em um ramo desses. Podemos ser vaidosas, andar maquiadas e bem femininas. Isso não impede nosso trabalho”.

Abraçados, o casal de vigilantes vai embora da escola de formação. Antes, porém, Danilo Gomes faz um alerta. “Pelo que vi, ela está atirando melhor que eu. Estou até com medo de, na verdade, ter algum problema em casa”, brinca.

Preconceito

Entretanto, mesmo com o aumento visível de mulheres nos cursos de formação de vigilantes e as qualidades que têm a oferecer, o preconceito ainda impede que maior incidência de mulheres nessa profissão. Muitas empresas ainda preferem que a vigilância seja feita por homens.

É o que afirma Fátima Aparecida Garcia Krall, 42 anos, que trabalhava como auxiliar de limpeza e, há um ano, fez o curso de formação de vigilantes. Vivendo somente com a renda do marido, que é pedreiro, ela se mostra bastante decepcionada com o mercado de trabalho.

“Não consigo arrumar nada fixo. Só faço trabalhos temporários em eventos. Já levei currículo em todo lugar e sempre a resposta é que a vaga é para homens. O preconceito ainda existe e muito. Vou ter que voltar a fazer faxina”, conclui, desapontada.

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