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Novo articulador do Planalto ameniza disputa entre PT e PMDB e passa a defender reajuste de salário acima de R$ 540

12Jan

Em ) - 10 2010 40%


Articulador político do Planalto, o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio Nóbrega de Oliveira, garantiu nesta terça-feira, 11, que o governo vai aumentar o valor do salário mínimo para repor a inflação de 2010 e manter a coerência entre "o discurso e a prática". Com isso, o mínimo ficará acima dos R$ 540 propostos pela equipe econômica e pode chegar a R$ 550, embora Luiz Sérgio, cauteloso, não crave nenhum número.

Dono de estilo discreto, o novo ministro amenizou as cotoveladas entre o PT e o PMDB por cargos e o impacto do litígio nas votações do Congresso e na eleição para a presidência da Câmara e do Senado.

"Sinceramente, não acredito que um partido queira usar o salário mínimo como moeda de troca", disse ele ao Estado. Somente para recompor o poder de compra, o governo teria de elevar o piso para R$ 543, mas as negociações indicam que a cifra será arredondada.

O ministro adotou tom diplomático para se referir aos movimentos do titular da Casa Civil, Antonio Palocci, na seara política, e disse não se sentir incomodado. "Palocci participou da montagem do ministério com a presidente Dilma. Isso não se transfere como troca de memória de computador", desconversou Luiz Sérgio.

Qual é a orientação da presidente Dilma Rousseff em relação ao valor do salário mínimo?
A presidente Dilma mandou fazer uma avaliação para recuperar o poder de compra, porque o valor de R$ 540 traz uma perda. O novo salário mínimo foi estabelecido em uma projeção de inflação e ela ficou um pouquinho acima. Então, é preciso um pequeno ajuste para manter coerente o que foi o discurso e a prática do governo de não permitir que o mínimo tivesse perda. Ninguém foi mais persistente diante da equipe econômica do que o presidente Lula. Os trabalhadores sabem que, se fosse possível algo além do estabelecido, Lula teria feito com alegria. Precisamos sempre encontrar o equilíbrio entre o que é possível sem colocar em risco a estabilidade.

O mínimo pode ir a R$ 550?
Não há uma definição, mas é uma coisa pequena. Não queremos que o salário mínimo tenha perda, por menor que seja.

O PMDB quer aumentar o mínimo para pressionar a presidente Dilma a negociar cargos. Há até uma emenda do deputado Eduardo Cunha que prevê R$ 560. Como conter esse apetite do PMDB?
Tem emenda do Eduardo Cunha e certamente vai ter do PDT, do PT e de outros. Mas o PT não está apresentando nada para pressionar o governo. É simpático apresentar emenda dizendo que quer dar salário. Sinceramente, não acredito que um partido queira usar o salário mínimo como moeda de troca.

O sr. é o articulador político do governo e o PMDB, apesar de dar uma trégua, está muito insatisfeito. Não houve falta de habilidade na negociação dos cargos?
Nós ganhamos juntos e vamos governar juntos. Em uma negociação, todo mundo vai com expectativa maior do que é possível. Eu não diria que é só o PMDB, não. A pressão por aumento de participação no governo é da natureza dos partidos.

Mas o PMDB pedia mais um assento na coordenação do governo, embora já tenha o vice, Michel Temer. Falou-se no ministro Edison Lobão, mas a presidente não atendeu ao pedido. Por quê?
Isso está superado. Foi mais uma expressão (do PMDB) que revelou ansiedade um pouquinho exagerada. Quando o debate envolver o setor elétrico, certamente o Lobão vai estar lá. Quando envolver Previdência, o Garibaldi (Alves, ministro da Previdência) estará.

Na posse, o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, disse que seria apenas "um do time", sem entrar na seara política. Na prática, porém, sabe-se que ele é o responsável pelas principais articulações. Isso não o incomoda?
De forma alguma. Palocci participou da montagem do ministério com a presidente Dilma. Isso não se transfere como troca de memória de computador. Estou marcando por aqui muitas das demandas de deputados que estavam pedindo para conversar com ele. Recebi o PRTB. É um partido. Foi lá pedir cargo ao Palocci, mas fui eu que recebi. O pastor Everaldo, presidente do PSC, também queria conversar (com Palocci), mas fui eu que recebi.

O sr. não se preocupa com possíveis candidaturas à presidência da Câmara que possam atrapalhar os planos do governo de eleger o deputado Marco Maia (PT)? É possível que Aldo Rebelo (PC do B) ou Sandro Mabel (PR) sejam candidatos?
Conversei com o Renato Rabelo (presidente do PC do B) e com o Alfredo Nascimento (ministro dos Transportes e presidente do PR). O Alfredo me garantiu que, para a direção do PR, essa candidatura (de Mabel) não existe. A conversa com o Renato também foi muito boa. Ele tem preocupação com a governabilidade e sabe que é importante a vitória do Marco Maia. Precisamos monitorar, mas estamos confiantes.

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